Meios de comunicação ajudam hispânicos a manter tradições culturais nos EUA

O que se sabe sobre a população hispânica nos Estados Unidos, majoritariamente de mexicanos, geralmente é resumido a quantidades: 33,7 milhões, 35% nascidos no México e o restante em território norte-americano. Mas há também uma história de resistência que surpreende pela preservação da língua, da cultura e tradições. E os meios de comunicação são decisivos para essa capacidade de não-aculturação.

“As rádios comunitárias e redes alternativas de TV são muito fortes entre os hispânicos. Jornais e vídeos alternativos feitos sobretudo por jovens indocumentados têm grande penetração na comunidade”, descreve a professora Ana Uribe, estudiosa há anos do fenômeno da ‘Comunicação e Migração’ de povos latinos, tema de sua palestra na Universidade Metodista de São Paulo dia 17 último a convite do Programa de Pós-Graduação em Comunicação.

A influência dos meios de comunicação tradicionais na conservação da cultura mexicana dentro dos EUA se deu sobretudo na primeira leva de migrantes, geralmente iletrados e que se adaptaram com dificuldades em território estranho. Foram chamados de “geração invisível”. A TV e as telenovelas foram os principais pontos de identificação cultural, a ponto de terem forjado a gigante Televisa México e criado o mercado falado em espanhol mais rentável do mundo, apontou Ana Uribe.

Agora a 2ª geração fala inglês e encontra cenário mais favorável para frequentar a universidade. Com isso, lida mais facilmente com novas tecnologias e, no campo midiático, com as redes sociais. Nem por isso a tradição é rompida, pois o novo tem convivido com o tradicional.

“A primeira coisa quando chegam em casa após o trabalho é ver TV e redes sociais”, diz a professora da Universidade de Colima, México, que também atua no campus avançado de Los Angeles. Ana é ex-aluna Metodista, onde fez mestrado em Comunicação Social com dissertação sobre o fenômeno televisivo Silvio Santos. Ela esteve no Brasil para o “Colóquio Internacional de Comunicação”, promovido por Metodista, Universidade Paulista (UNIP) e Universidade de São Caetano do Sul (USCS).

Auto-organização

Segundo seus estudos, até a metade do século passado a migração era quase definitiva e havia certo rompimento com a origem territorial em relação ao México. A auto-organização, uma característica central da comunidade, era apoiada por clubes de migrantes, voluntários, doações e igreja. Com o fenômeno da internet, os dois mundos (EUA e México) não se desconectam mais, havendo mais movimento físico de ida e volta entre os dois países, além de a tecnologia e redes sociais enriquecerem a circulação de informações da comunidade.

Mesmo assim, ainda prevalece forte preconceito dos americanos em relação aos povos hispânicos, vistos como mão-de-obra barata, relata professora Ana, ela própria uma vítima. Numa de suas passagens pela fronteira, ouviu um exultante “bingo!” de um dos policiais comemorando sua volta ao México.

Fonte: Metodista